Ansiedade, o mal do século

A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta os transtornos de ansiedade e depressão entre as principais causas de sofrimento no mundo, com o Brasil liderando índices expressivos de ansiedade globalmente.

Do ponto de vista da saúde pública, doenças cardiovasculares, câncer e diabetes continuam sendo as principais causas de morte. No entanto, quando se fala em sofrimento psíquico, incapacidade para o trabalho e impacto na qualidade de vida, os transtornos de ansiedade ocupam um lugar central.

Centenas de milhões de pessoas vivem com transtornos de ansiedade, e o problema se agravou significativamente após a pandemia de Covid-19. Em muitos países, a ansiedade já é uma das principais razões para afastamentos do trabalho, consumo de medicamentos psiquiátricos e procura por atendimento psicológico. Mas talvez o aspecto mais interessante seja este: a ansiedade parece ser menos uma doença isolada do que um sintoma de uma civilização.

Vivemos em uma época marcada por fatores que alimentam continuamente a ansiedade: excesso de informação e notícias alarmantes; hiperconectividade e disponibilidade permanente; redes sociais que promovem comparação constante; insegurança econômica e profissional; aceleração tecnológica, especialmente com a IA; crises climáticas e geopolíticas; enfraquecimento de vínculos comunitários e familiares; culto ao desempenho e à produtividade.

Nunca tivemos tanto controle sobre o mundo material e, ao mesmo tempo, tanta dificuldade para controlar nossa vida interior.

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